Talvez as pessoas estejam crescendo, se tornando adultas. Talvez elas estejam evoluindo, seguindo caminhos que levam ao progresso. Talvez elas tenham desistido de serem a maneira que são, porque toda a corrente esteve contrária e sempre estará. Talvez elas tenham se cansado de esperar pelo que não vai acontecer,  se cansado dos aborrecimentos sinceros e, agora, talvez, elas prefiram os sorrisos, não mais amarelos porque já existem bons métodos para corrigir isso, mas aquele sorriso de que tudo está bem. Talvez a segurança, talvez ela. Ela se tornou mais atraente. Talvez o tempo esteja passando e eu esteja cego demais para perceber isso.

Talvez eu continue ser aquela criança chata que faz pergunta e se intromete quando e onde não se deve. Talvez a minha veia de loucura esteja se apagando e ela não é mais engraçada ou interessante para aqueles momentos que se precisa de um gesto bobo, um tropeção qualquer para se fazer rir. Talvez eles já tenham se cansado dessa criança. Talvez eles querem deixar a criança crescer sozinha, pelo mundo. Talvez apenas queiram que ela fique lá, sozinha. Talvez eu continue a viver algum certo conto de fadas na minha cabeça, mas que não me traz para realidade, nem mesmo a torna mais interessante quando os dias estão cinzentos.

Talvez eles tenham se cansado das perguntas, dos porquês. Talvez eles tenham se cansado, como todo mundo tem o direito de se cansar, de esquecer. As vezes custa, a mim, entender o mais simples e óbvio, pelo simples fato de querer remar contra a maré, porque ela não consegue saciar meus simples desejos e, hora,  nem mesmos necessidades.

Talvez eu tenha me enganado ao achar que estiver cercado sempre pelos melhores. O que torna tudo muito subjetivo, porque ser melhor ou não vai da minha cabeça ou de qualquer outra pessoa. Mas esse subjetivo só vale quando o “remar contra a maré” ainda está em voga na mente de alguém. Talvez eu não queria aceitar que o para sempre sempre acaba, pelo simples fato de enxergar que todos anseiam o para sempre, mas nunca o tem, pela simples vontade de ser egoísta por alguns instantes. Ou quem sabe pela vida toda.

Talvez seja mais fácil mesmo crescer e seguir a risca o roteiro. Repetir os mesmo feitos e atingir objetivos que nos foram dados. Afinal de que vale a vida se eu mesmo crio meus objetivos. Talvez seria tachado como louco, depressivo, chato, velho, sozinho. Talvez o mundo seja cego, egoísta e hipócrita ao me dizer o que fazer mas está sempre ansiando pelas vontades alheias quando veem a novela ou a comédia romântica ou procuram o best seller na seção de auto ajuda na livraria da moda.

Talvez o meu coração ainda seja uma criança quando acredita que as coisas podem durar para sempre. Mesmo sabendo que pessoas entram e saem das nossas vidas, nada mais justo ter pessoas como certas para qualquer momento. Afinal, isso soa muito bonito quando redigido ou declamado em algum programa de tv ou palestra chata de interegrão de novos funcionários.

O grande problema é que o talvez me da 50% de chances em todos os “talvezes” que foram escritos por aqui. Isso implica numa matemática simples mas que pode assustar qualquer um. O talvez nunca é uma certeza, porque a certeza me dá 100% de chance sem nenhum erro. O talvez é capaz de me fazer sonhar ou acreditar que alguma coisa impossível se torne real. Claro, dentro das lógicas da ciência e física. Não estou querendo fazer nada extraordinário tal como um bruxo dos livros e lendas.

Talvez me dá a possibilidade de acreditar que relacionamentos e pessoas vão e vem, mas que muitas delas podem ficar e não serem descartadas quando perde o prazo de validade. Tudo isso porque, talvez, pelo simples talvez, no fundo, eu acredito mais do que as lamurias superficiais e que meus resmungos possam transparecer.

Aniversários e datas passam não para se ganhar algum tipo de presente, ou criar aquela velha obrigação. Passam para confirmar que muitas relações resistem, por mais que muito dos 50%  da outra opção aparente mais forte.  As vezes eu gostaria que as coisas que quebram não fossem jogadas fora. As vezes elas não são, são concertadas, é verdade. Mas aquela falha, ainda visível, é encarada como um problema e não como uma solução ou uma diferente maneira de fugir do trivial.

Talvez eu seja encarado como frio e sem sentimentos pela minha simples maneira de reclamar da minha vida, mas nunca a torná-la pública. Pelo simples fato de eu não ser egoísta o suficiente a ponto de colocar os meus problemas a frente dos outros ou de estar disponível 24h para aqueles que acredito confiar. Talvez eu devesse ser um pouco mais egoísta como as pessoas são.  Mas eu não sou assim, sou sincero demais para ser egoísta.

Talvez a minha visão de mundo seja deturpada demais, seja infantil demais a ponto de acreditar que pessoas podem mudar, que relações podem ser pra sempre, que amizades existem.

Mas acho que os outros 50% desse mundo de “tavezes” esteja mais pesado de um lado. Talvez eu comece a acreditar que todas as frases e declamações de poemas no universo real e digital sejam apenas para esconder as verdades inescapáveis.  Talvez nunca tenha passado pela cabeça das pessoas que eu ame demais a ponto de não me manter em um relacionamento, como a sociedade o quer. Talvez eu goste de sair e conhecer pessoas. Talvez eu goste de ter amigos e de sair e ligar para eles a qualquer momento do dia. Mas, talvez, o lado dos 50% que me diz que eles não gostam desse tipo de atitude esteja mais pesado e eu tenha que acreditar que o lado dos 50% do talvez eu deva esquecer tudo e todos esteja pesando muito mais.

Talvez esse texto não esteja muito bem escrito, formatado, coeso. Mas é só talvez e como ele me pertence posso deixar os 50% mais pesados do lado que eu bem entender. Talvez eu continue a redigi-lo algum dia. Afinal, apesar do medo dos adultos vivendo em 50% de mim, ainda tenho os 50% de vontade de levantar de uma criança que caiu ao dar os primeiros passos. Resta saber qual lado do talvez vai pesar mais daqui pra frente.